Com a chegada do inverno, é comum observar um aumento na incidência de gripes, resfriados e outras infecções respiratórias. As temperaturas mais baixas, a menor exposição ao sol e a tendência de permanecer por mais tempo em ambientes fechados favorecem a circulação de vírus e outros microrganismos. Além disso, mudanças comportamentais típicas dessa época podem impactar a alimentação, o sono e a prática de atividade física, fatores diretamente relacionados ao funcionamento do sistema imunológico.

Embora nenhuma vitamina, mineral ou suplemento seja capaz de impedir completamente o desenvolvimento de doenças infecciosas, sabe-se que um sistema imunológico bem nutrido responde de forma mais eficiente aos desafios do organismo. Diversos nutrientes possuem alegações reconhecidas relacionadas à manutenção da função imune, enquanto outros apresentam evidências científicas promissoras por modularem diferentes mecanismos da resposta imunológica.

Neste artigo, você entenderá quais nutrientes desempenham papel importante na imunidade, quais grupos merecem atenção especial durante o inverno e quando a suplementação pode ser uma estratégia interessante.


Como funciona o sistema imunológico?

O sistema imunológico é composto por uma complexa rede de células, órgãos e moléculas responsáveis por identificar e combater agentes potencialmente nocivos, como vírus, bactérias, fungos e parasitas.

Essa proteção acontece por meio de dois grandes mecanismos:

Imunidade inata

  • Primeira linha de defesa;
  • Atua rapidamente;
  • Envolve barreiras físicas, células fagocitárias, células NK e proteínas inflamatórias.

Imunidade adaptativa

  • Resposta mais específica;
  • Produz anticorpos;
  • Desenvolve memória imunológica após contato com determinados agentes.

Para que ambos os sistemas funcionem adequadamente, o organismo depende do fornecimento adequado de vitaminas, minerais e compostos bioativos.


Por que o inverno favorece infecções?

O aumento das doenças respiratórias durante o inverno não acontece apenas por causa do frio.

Entre os principais fatores estão:

  • Permanência em ambientes fechados e pouco ventilados;
  • Maior contato entre pessoas;
  • Menor incidência de luz solar, reduzindo a síntese cutânea de vitamina D;
  • Ar mais seco, que prejudica a integridade das mucosas respiratórias;
  • Alterações na qualidade do sono;
  • Estresse físico e mental.

Tudo isso pode comprometer as defesas naturais do organismo, especialmente em indivíduos mais vulneráveis.


Quem merece atenção especial?

Embora qualquer pessoa possa se beneficiar de bons hábitos de vida e ingestão adequada de nutrientes, alguns grupos apresentam maior risco de alterações na resposta imunológica.

Crianças

O sistema imunológico infantil ainda está em desenvolvimento, principalmente nos primeiros anos de vida. Além disso, o contato frequente com outras crianças em escolas e creches aumenta a exposição a vírus respiratórios.

Nessa fase, é importante garantir ingestão adequada de vitaminas e minerais envolvidos na imunidade, além de hábitos como sono adequado e vacinação.


Idosos

O envelhecimento está associado ao fenômeno conhecido como imunossenescência, caracterizado pela redução gradual da eficiência do sistema imunológico.

Além disso, idosos frequentemente apresentam:

  • menor consumo alimentar;
  • alterações na absorção de nutrientes;
  • menor exposição solar;
  • presença de doenças crônicas;
  • uso contínuo de medicamentos.

Esses fatores tornam esse público especialmente suscetível às infecções respiratórias.


Praticantes de atividade física

A prática regular de exercícios contribui para uma melhor função imunológica.

Entretanto, sessões muito intensas ou prolongadas podem gerar uma resposta inflamatória transitória e aumentar temporariamente a susceptibilidade a infecções, especialmente quando associadas à recuperação inadequada, privação de sono ou alimentação insuficiente.

Por isso, atletas e praticantes de exercícios intensos devem manter atenção especial ao estado nutricional.


Pessoas com alimentação inadequada

Dietas restritivas, baixo consumo de frutas, vegetais e proteínas ou ingestão insuficiente de micronutrientes podem comprometer diferentes etapas da resposta imune.


Principais nutrientes relacionados ao funcionamento do sistema imunológico

Beta-glucana de levedura

A beta-glucana é um polissacarídeo encontrado na parede celular da levedura Saccharomyces cerevisiae. Diferentemente das fibras comuns, ela atua como um composto imunomodulador, interagindo diretamente com células do sistema imune.

Após ser reconhecida por receptores presentes em macrófagos, neutrófilos e células dendríticas, a beta-glucana promove uma resposta coordenada da imunidade inata, favorecendo maior capacidade de reconhecimento e eliminação de agentes infecciosos.

Além disso, estudos sugerem que esse composto pode contribuir para o chamado treinamento da imunidade inata (trained immunity), mecanismo pelo qual determinadas células passam a responder de forma mais eficiente após estímulos prévios.

Entre os benefícios observados na literatura destacam-se:

  • suporte ao funcionamento dos macrófagos;
  • ativação de células NK;
  • modulação da resposta inflamatória;
  • auxílio na defesa contra infecções respiratórias recorrentes;
  • potencial redução da duração e da frequência de episódios infecciosos em alguns grupos populacionais.

Por apresentar ação imunomoduladora — e não estimulante indiscriminada da imunidade — a beta-glucana tem despertado grande interesse na área de nutrição clínica e imunonutrição.


Zinco

O zinco é um dos minerais mais importantes para o sistema imunológico.

Sua deficiência está diretamente associada à redução da função das células de defesa.

Entre suas funções destacam-se:

  • desenvolvimento de linfócitos T;
  • produção de anticorpos;
  • manutenção das barreiras epiteliais;
  • ação antioxidante;
  • regulação da resposta inflamatória.

O zinco possui alegação aprovada pela ANVISA para:

"O zinco auxilia no funcionamento do sistema imune."

Sua deficiência é relativamente comum em idosos e indivíduos com ingestão alimentar inadequada.


Vitamina C

A vitamina C é uma das vitaminas mais estudadas quando o assunto é imunidade.

Ela participa de diversos processos fisiológicos:

  • proteção antioxidante das células;
  • produção de colágeno das barreiras epiteliais;
  • funcionamento de neutrófilos;
  • atividade de linfócitos;
  • regeneração de outros antioxidantes.

Além disso, durante processos infecciosos ocorre aumento do consumo de vitamina C pelo organismo.

Sua alegação funcional reconhecida é:

"A vitamina C auxilia no funcionamento do sistema imune."


Vitamina D

Embora seja conhecida principalmente pela participação na saúde óssea, a vitamina D também exerce importante papel regulador do sistema imunológico.

Diversas células imunológicas possuem receptores específicos para vitamina D, incluindo:

  • macrófagos;
  • linfócitos T;
  • células dendríticas.

Níveis insuficientes desse nutriente têm sido associados, em estudos observacionais, a maior suscetibilidade a infecções respiratórias, embora a resposta à suplementação dependa do estado nutricional de cada indivíduo.

Durante o inverno, sua atenção torna-se ainda mais importante devido à menor exposição solar.


Selênio

O selênio participa da formação de enzimas antioxidantes, especialmente a glutationa peroxidase.

Seu papel inclui:

  • redução do estresse oxidativo;
  • proteção das células imunológicas;
  • manutenção da resposta inflamatória equilibrada.

A deficiência pode comprometer a resposta imune e aumentar a vulnerabilidade a infecções.


Suplementação: quando pode ser uma estratégia interessante?

Embora uma alimentação equilibrada seja fundamental para fornecer vitaminas e minerais, nem sempre ela é suficiente para atender às necessidades individuais. Crianças com seletividade alimentar, idosos, pessoas com baixa ingestão de frutas e vegetais, praticantes de atividade física intensa e indivíduos com necessidades aumentadas podem apresentar ingestão insuficiente de nutrientes importantes para a imunidade.

Nesses casos, a suplementação pode representar uma estratégia prática e segura para complementar a dieta, desde que utilizada de forma adequada e, preferencialmente, com orientação de um profissional de saúde.

É importante destacar que suplementos alimentares não têm a finalidade de prevenir, tratar ou curar doenças, mas podem contribuir para a oferta adequada de nutrientes relacionados ao funcionamento normal do sistema imunológico.

Entre os nutrientes frequentemente utilizados em suplementos voltados ao suporte imunológico destacam-se:

Beta-glucana de levedura

A suplementação de beta-glucana de levedura tem ganhado espaço devido à sua ação imunomoduladora. Estudos demonstram que esse composto pode auxiliar na resposta da imunidade inata, especialmente em indivíduos expostos a maior risco de infecções respiratórias, como crianças, idosos e praticantes de atividade física intensa.

Zinco

A suplementação é particularmente relevante para indivíduos com ingestão insuficiente ou deficiência do mineral. O zinco auxilia no funcionamento do sistema imune, além de participar da proteção antioxidante e da síntese de proteínas envolvidas na resposta imunológica.

Vitamina C

Muito utilizada durante o inverno, a vitamina C auxilia no funcionamento do sistema imunológico e na proteção das células contra os danos causados pelos radicais livres. Em situações de maior demanda fisiológica, a suplementação pode ser uma alternativa para complementar a ingestão diária.

Vitamina D

Pessoas com baixa exposição solar, idosos e indivíduos com deficiência confirmada podem se beneficiar da suplementação de vitamina D, sempre considerando a avaliação individual e as recomendações do profissional de saúde.

Fórmulas combinadas

Atualmente existem suplementos que associam beta-glucana, zinco, vitamina C, vitamina D e outros micronutrientes em formulações únicas. Essa combinação busca oferecer suporte nutricional de maneira prática, favorecendo a ingestão adequada de diferentes nutrientes envolvidos na resposta imunológica.

Independentemente da composição escolhida, é importante lembrar que suplementos devem complementar uma rotina saudável, que inclui alimentação equilibrada, sono adequado, prática regular de atividade física, controle do estresse e vacinação conforme as recomendações.


Outros fatores que também influenciam a imunidade

Os nutrientes representam apenas uma parte do cuidado com o sistema imunológico.

Outros hábitos igualmente importantes incluem:

  • dormir entre 7 e 9 horas por noite;
  • praticar atividade física regularmente;
  • controlar o estresse;
  • manter hidratação adequada;
  • evitar tabagismo;
  • reduzir o consumo excessivo de bebidas alcoólicas;
  • manter a vacinação em dia;
  • adotar medidas de higiene, especialmente durante períodos de maior circulação viral.

Conclusão

Durante o inverno, o organismo é submetido a condições que favorecem o aumento da circulação de vírus respiratórios e podem desafiar o funcionamento do sistema imunológico. Embora não exista um único nutriente capaz de impedir infecções, manter um adequado estado nutricional é uma das estratégias mais importantes para garantir que as células de defesa atuem de maneira eficiente.

Entre os nutrientes com maior respaldo científico destacam-se a beta-glucana de levedura, que auxilia na modulação da imunidade inata, além do zinco, da vitamina C, da vitamina D e do selênio, todos envolvidos em diferentes etapas da resposta imunológica.

Para indivíduos com ingestão inadequada, necessidades aumentadas ou maior vulnerabilidade — como crianças, idosos e praticantes de atividade física intensa —, a suplementação pode ser uma ferramenta útil para complementar a alimentação e favorecer a oferta adequada desses nutrientes. Quando associada a hábitos de vida saudáveis, ela contribui para a manutenção do funcionamento normal do sistema imunológico durante todo o ano, especialmente nos meses mais frios.