Praticar esportes na infância e na adolescência traz inúmeros benefícios. Além de contribuir para o desenvolvimento físico, a atividade esportiva pode favorecer a coordenação motora, a socialização, a autoestima e a formação de hábitos saudáveis que podem acompanhar a criança por toda a vida.
Mas existe um ponto que merece atenção: nessa fase, o corpo não está apenas se exercitando. Ele também está crescendo.
O organismo precisa de energia e nutrientes para sustentar simultaneamente o crescimento, a formação dos ossos, o desenvolvimento muscular e a prática esportiva.
Por isso, uma alimentação equilibrada é fundamental para crianças e adolescentes que praticam esportes.
Por que ossos e músculos merecem atenção durante o crescimento?
A infância e, principalmente, a adolescência são períodos importantes para o desenvolvimento da massa óssea e muscular.
Os ossos passam por um processo contínuo de formação e remodelação, enquanto os músculos se desenvolvem acompanhando o crescimento e as demandas impostas pela atividade física.
Quando a alimentação não fornece energia, proteínas, vitaminas e minerais suficientes, pode ser mais difícil atender a todas essas necessidades.
Entre os nutrientes que participam desses processos estão o cálcio, magnésio, zinco e as vitaminas A, do complexo B, D, E e K.
Cada um exerce funções diferentes, mas todos fazem parte de uma alimentação que deve ser adequada às necessidades individuais da criança ou do adolescente.
Cálcio: essencial para ossos e músculos
Quando pensamos em crescimento ósseo, o cálcio é um dos primeiros nutrientes que vêm à mente — e por um bom motivo.
Grande parte do cálcio do organismo está armazenada nos ossos e dentes, contribuindo para sua estrutura e resistência. Durante o crescimento, garantir uma ingestão adequada é especialmente importante para a formação da massa óssea.
Mas o cálcio também participa da contração muscular, da transmissão dos impulsos nervosos e de outras funções essenciais do organismo.
Leite e derivados são fontes conhecidas de cálcio, mas não são as únicas. Vegetais como couve e brócolis, além de alguns alimentos fortificados, também podem contribuir para a ingestão diária.
Magnésio: importante para músculos e energia
O magnésio participa de centenas de reações no organismo e tem relação direta com o funcionamento muscular.
Ele participa da produção e utilização de energia, da síntese de proteínas e da função neuromuscular.
Para uma criança ou adolescente fisicamente ativo, esses processos são especialmente relevantes, já que o organismo precisa produzir energia e realizar adaptações ao estímulo do exercício.
Castanhas, sementes, leguminosas, cereais integrais e vegetais verde-escuros são algumas das fontes alimentares de magnésio.
Zinco: crescimento e desenvolvimento
O zinco também merece atenção durante a fase de crescimento.
Esse mineral participa da síntese de proteínas, divisão celular, funcionamento do sistema imunológico e metabolismo, processos importantes para o desenvolvimento do organismo.
Como músculos e outros tecidos estão em constante crescimento e renovação durante a infância e adolescência, uma alimentação adequada em zinco é fundamental.
Carnes, ovos, leite e derivados, feijões, castanhas e sementes podem contribuir para o consumo desse mineral.
Vitamina D: muito além dos ossos
A vitamina D tem papel importante na manutenção da saúde óssea porque contribui para a absorção e utilização do cálcio e do fósforo.
Por isso, níveis adequados de vitamina D são importantes durante o crescimento.
Mas suas funções não se limitam aos ossos. Receptores de vitamina D estão presentes em diferentes tecidos, incluindo o músculo, e a vitamina participa de processos relacionados à função muscular.
A vitamina D pode ser obtida por meio da exposição solar e de alguns alimentos, como peixes, gema de ovo e alimentos fortificados.
Quando existe suspeita de deficiência, a avaliação deve ser feita por um profissional de saúde, que poderá determinar se há necessidade de suplementação.
Vitamina K: uma aliada da saúde óssea
A vitamina K é conhecida principalmente por sua participação na coagulação sanguínea, mas também está envolvida no metabolismo ósseo.
Ela participa da ativação de proteínas importantes para a saúde dos ossos, como a osteocalcina.
Por isso, uma alimentação adequada em vitamina K também faz parte de uma estratégia nutricional voltada à manutenção da saúde óssea.
Vegetais verde-escuros, como couve, espinafre e brócolis, são boas fontes de vitamina K.
Vitamina A: crescimento e desenvolvimento
A vitamina A também desempenha funções importantes durante o crescimento.
Ela participa da diferenciação e renovação celular, além de contribuir para a manutenção da pele, visão e funcionamento adequado do sistema imunológico.
Como o crescimento envolve intensa produção e renovação de células e tecidos, garantir uma ingestão adequada dessa vitamina é importante.
Entre as fontes alimentares estão fígado, ovos e leite, além de vegetais e frutas ricos em carotenoides, como cenoura, abóbora e manga.
Complexo B: combustível para o metabolismo
As vitaminas do complexo B estão envolvidas em diversos processos relacionados ao metabolismo energético.
Vitaminas como B1, B2, B3, B5, B6, B12 e folato participam, cada uma de maneira específica, do metabolismo de carboidratos, gorduras e proteínas, além de processos relacionados à formação e manutenção das células.
Para quem pratica esportes, isso é especialmente relevante porque a produção de energia depende de uma série de reações metabólicas que envolvem essas vitaminas.
Carnes, ovos, leite e derivados, leguminosas, cereais e vegetais são algumas das fontes de vitaminas do complexo B.
Vitamina E: proteção contra o estresse oxidativo
Durante a prática de exercícios, o metabolismo energético aumenta e ocorre maior produção de espécies reativas.
O organismo possui mecanismos próprios para lidar com esse processo, e os antioxidantes obtidos pela alimentação fazem parte desse sistema de proteção.
A vitamina E é um antioxidante que ajuda a proteger as células contra os danos causados pelos radicais livres.
Oleaginosas, sementes e óleos vegetais são algumas das principais fontes alimentares de vitamina E.
Uma alimentação adequada é a base
Quando uma criança ou adolescente pratica esportes, é natural que os pais se preocupem com nutrientes e suplementos.
Mas existe uma diferença importante entre ter uma alimentação nutricionalmente adequada e simplesmente adicionar vários suplementos à rotina.
Na maioria dos casos, a prioridade deve ser garantir uma alimentação variada, suficiente em energia e adequada às necessidades da fase de crescimento e da modalidade esportiva praticada.
Isso significa incluir diferentes grupos alimentares ao longo do dia, como:
• frutas e vegetais;
• cereais e outros alimentos fontes de carboidratos;
• feijões e outras leguminosas;
• carnes, peixes e ovos;
• leite e derivados ou alternativas nutricionalmente adequadas;
• castanhas, sementes e outras fontes de gorduras boas.
A quantidade e a distribuição desses alimentos devem considerar idade, estágio de desenvolvimento, frequência e intensidade dos treinos e necessidades individuais.
Crianças que praticam esportes precisam de suplementos?
Não necessariamente.
Praticar esporte não significa, por si só, que uma criança ou adolescente precise utilizar suplementos vitamínicos ou minerais.
A suplementação pode ser considerada quando existe uma necessidade nutricional específica, uma ingestão insuficiente, alguma condição que aumente a necessidade de determinado nutriente ou uma deficiência identificada.
Nesses casos, a escolha do nutriente, dose e duração do uso devem ser individualizadas.
Importante: crianças e adolescentes não devem utilizar doses de suplementos destinadas a adultos sem orientação profissional. O excesso de determinados nutrientes também pode causar efeitos indesejados.
Para jovens atletas, o acompanhamento com nutricionista e pediatra ou outro profissional de saúde capacitado pode ajudar a garantir que a alimentação acompanhe tanto as necessidades do crescimento quanto as demandas do esporte.
Crescimento e esporte: dois processos que precisam caminhar juntos
Uma criança que pratica esportes está fazendo mais do que gastar energia durante o treino. Ela está simultaneamente crescendo, formando massa óssea, desenvolvendo músculos e amadurecendo diferentes sistemas do organismo.
Por isso, uma alimentação adequada precisa acompanhar todas essas demandas.
Cálcio, magnésio, zinco e vitaminas A, complexo B, D, E e K desempenham funções importantes nesse processo. Mas nenhum nutriente funciona isoladamente.
O mais importante é garantir uma alimentação variada e suficiente, identificar possíveis inadequações e, quando necessário, utilizar a suplementação de forma individualizada e orientada.
Esporte na infância deve estimular saúde, desenvolvimento e qualidade de vida. E uma boa nutrição faz parte desse caminho.
